O Transistor MOS - Princípios de Funcionamento
Neste artigo o Prof. Rômulo O. Albuquerque aborda os componentes e características da tecnologia MOS (Metal Oxide Semiconductors), com especial enfoque nos transistores MOS (MOSFET) tipo N e P.
Introdução
Os circuitos integrados baseados na tecnologia CMOS (Complementary - Metal - Oxide - Semiconductors) já substituíram os CI's baseados na tecnologia TTL em quase 100% dos casos. A principal razão para isso está na grande capacidade de integração que os mesmos possuem (isto é, ocupam pouca área), mas existem outras vantagens entre elas podemos citar a baixa capacidade de dissipação de potência quando comparados com os mesmos circuitos TTL.
Dissipação de Potência
CMOS estáticos só dissipam potência quando os transistores estão mudando de estado. Quando a entrada de um inversor CMOS é alta ou baixa , a potência estática dissipada é devido à correntes de fuga sendo praticamente zero. Quando comparado com as lógicas NMOS e bipolar é uma grande vantagem.Porém quando os transistores estão mudando de estado o circuito dissipará uma certa quantidade de potência ( potência dinâmica ) , isto é,
Pdinâmica=K.f ( proporcional à potência ).
A potência total dissipada será calculada por : Ptotal = Pestática + Pdinâmica
Em baixas freqüências ambas as contribuições serão desprezíveis, porém em altas freqüências a potência dissipada aumenta. A nível de sistema, a potência total de pende da freqüência de chaveamento e do número de portas que estão mudando de nível lógico num determinado instante .A Fig01 mostra um inversor CMOS onde o transistor de cima é tipo PMOS e o de baixo tipo NMOS.A Fig02 mostra o modelo usado quando o transistor é usado como chave.Observe a capacitância CL de carga que será definida posteriormente.
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Fig01: Inversor CMOS |
Fig02: CMOS operando como chave com Ventrada= 0 |
Conceitos Básicos
Transistores CMOS são chaves eletrônicas controladas por tensão. Os dois tipos básicos de MOS são o MOSFET canal N ( NMOS) e o MOSFET canal P ( PMOS ).
As Fig03 e Fig04 mostram
os símbolos mais usados. Observe que um MOS tem 4 terminais :
Gate (G), Dreno(D), Fonte(S) e Substrato(B).Os símbolos da direita
muita vezes são usados para simplificar.As tensões que são
usadas para controlar o fluxo de corrente através do dispositivo
são VGS e VDS. A tensão de substrato
VSB também afeta o fluxo de cargas.
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Fig03: MOS canal N simbologias |
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Muitas vezes o eletrodo do substrato é
omitido por simplicidade, e para distinguir entre NMOS e
PMOS é usada o circulo na porta para indicar
inversão.
Aplicando uma tensão à porta o transistor conduz. Um NMOS
conduz quando é aplicada uma tensão positiva , enquanto um PMOS conduz
com uma tensão negativa.
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Fig04: MOS canal P simbologias |
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Transistor como Chave
Um transistor MOS pode ser modelado como sendo simplesmente uma chave, como indicado na Fig05. O fechamento ( e a abertura é controlada pela tensão de gate , VGS , ).Se associarmos o nível lógico "1" a VDD e o nível lógico "0" a 0V , se no transistor NMOS VGS = VDD então a chave fecha , no transistor PMOS é o contrário , se VGS =0V a chave fecha.

Fig05: Transistor MOS como chave
A Fig06 mostra como construir um inversor usando dois transistores. A saída deve ser alta quando a entrada for baixa e vice versa. Como podemos verificar a tensão de entrada ( Ve ) é aplicada simultaneamente às duas portas (gate) dos transistores. Para que a saída vá de 0 a VDD o transistor PMOS deve conduzir e isto é obtido fazendo Ve=0, neste caso a tensão de saída será dada por:
VS =VDD.(1 - e-t/tP ) onde tP =RPCL
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| Fig06: Inversor CMOS construído com transistor MOS N ( inferior) e transistor MOS P ( superior) | |
Na fig06, tP = RP.CL é a constante de tempo de carga, RP representa a resistência entre dreno e fonte com o dispositivo em condução. Para descarregar o nó de saída , o transistor NMOS deve conduzir enquanto o PMOS deve estar cortado. Desta forma é estabelecido um canal de condução entre o nó de saída e o terra. Nestas condições a equação que descreve a tensão de saída será dada por :
Vs(t) =VDD.e-t/tn tn = Rn.CL
Estrutura Física
A seguir mostraremos o funcionamento físico de um transistor MOS canal N, o canal P tem um funcionamento análogo, invertendo polaridade e tipo de portador. A Fig07 mostra um corte de um transistor MOS, no qual podemos identificar as principais partes.

Fig07: Estrutura física de um MOS canal N
O transistor é fabricado em cima de uma base chamada de substrato (no caso de MOS canal N essa região é P). Duas regiões fortemente dopadas tipo N são criadas no substrato originando o dreno(D) e a fonte (S de source ). Uma camada muito fina de cerca de 3nm a 20nm de dióxido de silício (que é isolante) ultra puro é criada sobre a região do substrato entre dreno e fonte.No começo, era depositado sobre esse óxido uma camada de metal (o M de MOS), atualmente devido a necessidades tecnológicas o material é o silício policristalino.
A Fig08 mostra o mesmo transistor em 3D e as duas principais dimensões do mesmo: Comprimento do canal ( L ) e largura do canal (W).

Fig08: Estrutura de um transistor MOS canal N em 3D
As principais características elétricas de um transistor MOS são determinadas em função das suas dimensões ( W e L) e da espessura da camada de óxido em cima do canal. No atual desenvolvimento (estado da arte) o comprimento do canal (L) é da ordem de 0,18mm ( PentiumII ), sendo possível desta forma colocar 5 milhões de transistores num único chip. A diminuição das dimensões faz aparecer novos desafios , como por exemplo o desenvolvimento de novos materiais e o uso de outros já conhecidos mas que não eram usados devidos a algumas dificuldades que agora estão sendo superadas. Por exemplo o cobre já está sendo usada nas linhas de conexão por causa da sua baixa resistividade e antes não era usado por que não se tinha desenvolvido uma forma comercial de depositar o cobre formando as linhas micrométricas. Com o avanço nas velocidades de processamento começaram a aparecer outras alternativas como por exemplo o transistor SOI (Silicon On Insulated ), no qual o substrato não é mais um material semicondutor, desta forma não existem mais junções que originam capacitâncias parasitas e que limitam a máxima freqüência de operação. Existem outros semicondutores como o Arseneto de gálio (AsGa) que tem características que permite operar em freqüências mais altas que o Si.
O capitulo a seguir do nosso artigo entrará mais em detalhes com relação a equações, curvas e aplicações.
Operação
A seguir mostraremos de forma simplificada a operação do transistor MOS, sendo que consideraremos o transistor NMOS ( para o PMOS basta inverter as polaridades das tensões e os sentidos das correntes ) para exemplificar todas as situações

Fig09: MOS representado como diodos
Sem a aplicação de tensão no gate
o dispositivo se comportará como dois diodos em série e em
oposição , figura2.4, resultando uma resistência extremamente
alta entre dreno e fonte (da ordem de 1012
).
Aplicando uma Tensão na Porta
Com a aplicação de uma tensão na porta , positiva , e maior do que um valor denominado de tensão de limiar, VT, (tensão de threshold ) será induzido um canal condutor ligando a região da fonte com a região do dreno. Quanto maior for o valor de VGS , acima de Vt, maior será a indução de cargas negativas no canal e portanto maior a condutividade do canal, isto é, a condutividade do canal será proporcional a ( VGS – Vt ).
Se não existir tensão entre dreno e fonte ( VDS = 0) não existirá corrente ( ID = 0 ), figura2.5.

Fig10: Transistor NMOS tipo enriquecimento com VGS >Vt e VDS = 0
Se ao mesmo transistor da figura10 for aplicado uma pequena tensão entre dreno e fonte ( VDS <0,2V) aparecerá uma corrente entre dreno e fonte .Essa corrente será proporcional à tensão VDS, ou, ID = k.VDS onde a constante de proporcionalidade dependerá do próprio transistor (dimensões) e da tensão VGS. Nessa região de operação o transistor se comportará como uma resistência de valor constante, R= 1/K

Fig11:: Transistor NMOS tipo
enriquecimento com VGS >Vt e VDS =
0,1V
Se agora formos aumentando VDS, a corrente de dreno aumentará, mas a extremidade do canal próxima ao dreno começa a ficar mais estreita, isso por que a tensão entre porta e o canal na extremidade próxima ao dreno diminui. Se VDS = VGS – VT o canal se fechará totalmente próximo ao dreno, figura12. Se a tensão de dreno continuar a aumentar o ponto de estreitamento se deslocará no sentido da fonte, figura13. Com a resistência tornando-se muito alta o dispositivo passa aa ter comportamento de uma fonte de corrente (IDS começa a ficar constante .

Figura12: Estrutura MOS com estreitamento máximo do canal próximo ao dreno VDS=VGS - VT

Figura13: Estrutura MOS com estreitamento máximo do canal próximo ao dreno e diminuição do canal. VDS > VGS - VT
Região de Corte
Para VGS < VT IDS=0 qualquer que seja o VDS
Região Triodo
Para VGS > VT e VDS < VGS - VT o canal estará aberto e a corrente de dreno será dada por :![]() |
( 1 ) |
Observar que se VDS for pequeno então a expressão acima se reduz a :
| ( 2 ) |
O que mostra um comportamento linear da resistência de dreno ( RD = VDS/IDS) que na expressão ( 2 ) vale:
1/( uCox(W/L).(VGS -VT)
a seguir na Fig14 as curvas características de dreno e de transferência de um transistor NMOS de W=100um L=4um uCox=140uA/V e VT=0,8V
Clique na miniatura para visualizar a figura
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( a ) |
( b ) |
( c ) |
| Fig14: Circuito ( a ) para levantar as Curvas
Características de dreno ( b ) e de transferência ( c )
usando MicroCap6 |
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O prof. Rômulo O. Albuquerque é formado em Engenharia Elétrica pela EEM (Escola de Engenharia Mauá - São Caetano do Sul -SP). É atualmente diretor da FATEC-SB (Faculdade de Tecnologia de São Bernardo do Campo) e Professor na Faculdade de Tecnologia do Centro Universitário UNI A de Santo André - SP.
Este artigo também pode ser encontrado no site do autor e foi publicado no Eletronica.org com a respectiva autorização.
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