Calibração e Monitoramento de Sensores
Todos os sensores que medem grandezas no mundo real possuem tolerâncias. Não existe um sensor absolutamente preciso e são muitos os fatores que influenciam a tolerância e a confiabilidade.
Se você medir a resistência de vários resistores de 1kΩ vai encontrar valores entre 990Ω e 1,1kΩ. Isso no caso de resistores com tolerância de 1%. Se a tolerância dele for de 5%, naturalmente esta faixa será bem mais larga. Estes valores também variam devido à temperatura.
Vamos falar um pouco sobre um sensor de
temperatura com precisão de 1°C. Quando você compra um sensor de
temperatura deve ter em mente que esta precisão possui uma tolerância,
que varia. Sensores baratos, especialmente, são menos confiáveis. Por
exemplo, você pode ter 98°C em seu sensor monitorando água
fervente ou algo próximo disso, quando deveria ter 100°C. Claro que
este é apenas um exemplo simples. Como o sensor é parte de todo um
sistema, outros componentes também afetam as medições. Nós precisamos
ajustar o sensor para trabalhar como parte de um sistema completo. A
primeira coisa que você precisa fazer é excluir os fatores do ambiente
que afetam o sensor, como a temperatura da placa ou a temperatura do
próprio sensor. Isso é chamado de compensação.
A compensação não calibra o sensor. Ela apenas exclui fatores ambientais, mas não calibra o sensor propriamente dito. Calibração é quando o sensor é colocado em um ambiente conhecido onde a saída é medida como uma tensão X para temperatura T. Sem a calibração o sensor produz uma tensão Y para a mesma temperatura T. Então, medindo a temperatura conhecida, nós podemos construir uma tabela de referência que pode ser armazenada na memória do microcontrolador. Esta tabela pode ser utilizada para consulta a cada leitura do sensor para determinar a temperatura atual. Algumas calibrações podem ser feitas calculando-se o valor medido e a imprecisão já conhecida. Mas o princípio é o mesmo.
A segunda parte importante de como calibrar e monitorar sensores é executada pelo microcontrolador. Isso pode ser feito de algumas formas:
- O sensor é conectado ao micro remotamente através de um cabo. O micro
armazena os valores de calibração na EEPROM. Isso possui algumas
desvantagens. Primeiro: o sensor calibrado está fora da placa do micro
e cada parte substituída necessitará de uma recalibração. Segundo: o
micro não sabe quando o sensor foi alterado e se as leituras estão
corretas. Terceiro: se existem vários sensores cada um precisará ser
recalibrado sempre, e estes dados armazenados na memória, o que
significa menos recursos para outras tarefas.

- O segundo método é melhor porque o dado da calibração (EEPROM) é
localizada na mesma placa do sensor. Agora cada sensor possui seus
próprios dados de calibração. Isso significa uma melhor interconexão
com as placas dos microcontroladores sem afetar os resultados. Porém,
mais memória é necessária pois cada sensor precisa ser seu próprio CI
de memória.

- E este é o terceiro conceito: adicionar à placa do sensor um microcontrolador (sensores inteligentes). A própria calibração e seus dados resultantes estão no sensor. Porém, mais processadores são necessários e o custo pode aumentar. Mas o processador principal não vai precisar efetuar nenhuma calibração e os recursos estarão livres para outras tarefas. Esta terceira variante é popular atualmente especialmente em tele-medicina, onde sensores no corpo humano são independentes e podem enviar leituras no caso de alguma coisa errada ou suspeita. Microcontroladores são baratos e poderosos hoje em dia, o que permite deslocar parte dos cálculos necessários através destes sensores.

E uma última dica é: tente automatizar a calibração e monitoramento dos
sensores de forma a evitar fatores humanos.
Versão em português por Eletronica .org.
Adaptado com autorização, do original em Science Prog.
